/

Home

/

Notícias

/

Careca de Saber

/

Enquanto governo 'não tem pressa' e cogita chegada de PDDU no 2º semestre, oposição se antecipa

Enquanto governo 'não tem pressa' e cogita chegada de PDDU no 2º semestre, oposição se antecipa

Na coluna "Careca de Saber" desta semana, confira as últimas informações sobre a previsão de chegada do novo Plano Diretor da cidade, o show de horrores da última sessão na Câmara e a repercussão do acatamento da denúncia contra Bolsonaro no STF

Por Evilásio Júnior

28/03/2025 às 06:00

Atualizado em 28/03/2025 às 10:18

Foto: Evilásio Júnior

Uma situação inusitada toma conta da Câmara Municipal de Salvador. Todos os vereadores, sejam de governo ou de oposição, reconhecem que a matéria mais importante a ser apreciada este ano na Casa é o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). 

No entanto, embora a oposição já se articule para unificar o discurso e prever quais serão os pontos mais sensíveis, a bancada de governo segue leniente. 

O fato é que a elaboração do texto ainda é incipiente, conforme revelou o presidente da Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Paulo Magalhães Júnior (União Brasil), ao Blog do Vila.

"Na verdade, nós temos um prazo para apresentar o PDDU, mas não tem pressa. Claro que pode chegar no segundo semestre. O importante é que ele chegue com os estudos que estão sendo feitos pela Sedur. O secretário João Xavier contratou uma consultoria para que possa fazer os estudos e a Câmara vai acompanhar. Já fizemos algumas audiências e reuniões e vamos acompanhar tudo de perto. Temos que estar prontos para melhorar, aperfeiçoar, trabalhar, pensar e planejar a Salvador do futuro. Afinal de contas, o PDDU vai pensar a Salvador dos próximos oito anos. Como os estudos ainda estão em curso, alguns acham que pode chegar no primeiro semestre e outros acham que vai ser no segundo", ponderou o vereador. 

Aliados do prefeito especulam que a demora se deve a um ambiente não propício ao debate no Legislativo, em função dos atrasos nas entregas das obras indicadas por vereadores. Bruno nega.

Minoria 'reflete'

Na semana passada, a ala da minoria reuniu estudiosos, professores universitários e integrantes de movimentos sociais para debater um hipotético texto do PDDU. 

De acordo com a líder do PT, Marta Rodrigues, os vereadores contrários à gestão do prefeito Bruno Reis não querem ser pegos de "surpresa". 

"Pois é, nós fizemos uma antecipação da reunião da bancada de oposição para a gente também já estar refletindo, analisando os outros [PDDUs] e até a forma de como tudo isso aconteceu. E, a partir daí, junto com os movimentos e as universidades, estar também cobrando os estudos. Primeiramente a gente precisa ter acesso aos estudos, porque são eles que vão determinar como a cidade vai se posicionar, qual o planejamento, o que estará nas áreas de educação, de saúde, de assistência, da cultura, da reparação e da educação. Nós vamos ter que fazer muitas audiências mas, se o projeto já vier com a escuta, com a contribuição de quem pensa essa cidade no dia-a-dia, enriquece muito. Então, é esse debate que nós queremos fazer", avisou a petista, em conversa com o blog.

Outro projeto discutido pelo grupo foi o Plano Municipal de Saneamento Básico Integrado (PMSBI), que pode retirar da Embasa a concessão dos serviços de água e esgoto na capital baiana. 

Bruxa solta na despedida de Leleto

A "bruxa" tomou conta da sessão da última quarta-feira (26) na Câmara. Enquanto o objetivo do presidente Carlos Muniz (PSDB) era o de homenagear o diretor Legislativo da Casa, Carlos Lima (Leleto), que seguirá para a mesma função na Assembleia após 10 anos de Casa, o que se viu foi um show de horrores.

Logo após a aclamação do colaborador pelos presentes à sessão, o tucano entregou o comando da Mesa a Anderson Ninho (PDT) e a coisa descambou.

Em discurso no púlpito, Alexandre Aleluia (PL) repudiou as falas dos vereadores Randerson Leal (Podemos) e Felipe Santana (PSD), que enalteceram obras estaduais na cidade, ao chamá-las de "mentiras de 1º de abril". Ainda classificou de "palhaçada" a política econômica do governo Lula, sobretudo o que chamou de juros "escorchantes" e a nova modalidade de empréstimo consignado.

Randerson solicitou a retirada dos termos "ofensivos" dos anais da Casa e os dois bateram boca. Ninho pediu a suspensão dos trabalhos por dez minutos e, em meio ao silêncio dos microfones cortados, um cidadão presente à sessão se exaltou e bradou em alto e bom som que "enquanto vocês não honram os votos de seus eleitores, tem posto de saúde que não tem sequer amoxicilina".

Em meio ao "climão", Leleto ainda se chocou contra um funcionário da Casa na saída traseira do auditório do Centro de Cultura e o som de copos quebrados tomou conta do ambiente. Ato contínuo, a saída foi o presidente pedir verificação de quórum e encerrar a sessão.

Aleluia admite que Bolsonaro réu impacta PL

Por falar em Aleluia, ele admitiu que a situação jurídica de Jair Bolsonaro, tornado réu de forma unânime pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), pode atrapalhar os planos eleitorais do PL em 2026.

"Vejo o julgamento com muita política e pouco direito nos procedimentos investigativos de todo o processo, mas agora tem que esperar, não tem muito o que fazer. Vamos torcer para que a Justiça seja estabelecida no Brasil. O país precisa de menos agigantamento do aparato judiciário e mais estabelecimento dos poderes constituídos pelo povo. Se tivermos a decisão de Bolsonaro não poder ser candidato, acho que impacta diretamente o partido, mas com fé em Deus vai dar tudo certo e teremos o presidente Bolsonaro como candidato", disse o vereador, ao Blog do Vila.

Além do ex-presidente, o STF acatou a denúncia da Procuradoria Geral da República contra outros sete integrantes do chamado "núcleo crucial" da tentativa de golpe de Estado: Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de Bolsonaro. 

Semelhança com Cezar Leite

Apesar de adotar uma postura mais comedida do que o colega Cezar Leitte sobre o bolsonarismo, Aleluia enumerou semelhanças com o correligionário. 

"Acho que a gente está afinado. A gente pensa parecido, ninguém é igual, mas eu e Cezar somos conservadores liberais na economia. Eu tenho certeza que, se ele estivesse hoje aqui, seria a favor da tese do real deteriorado, inflação e altos impostos, mas cada um vai tratando da sua maneira os assuntos nacionais", declarou. 

Na última quarta, dia em que o STF tornou Bolsonaro réu, Leitte não compareceu à Câmara.